27 de maio de 2025

Topossequência: um caminho entre o solo e a paisagem

Por Grace B. Alves

Como falar em paisagem sem considerar os solos que a estruturam? E como entender os solos, ignorando sua posição na paisagem?

Nos últimos anos, nossas pesquisas têm aprofundado o uso das topossequências como ferramenta analítica central para integrar processos pedogenéticos e morfogenéticos. O artigo mais recente, “Topossequência: afinal, sobre o que estamos falando?” (2024), revisita criticamente os fundamentos desse conceito, frequentemente usado de forma imprecisa, e propõe uma leitura atualizada a partir da análise estrutural da cobertura pedológica.

Esse esforço se articula com reflexões anteriores, como o capítulo “Solo e Paisagem: estudos das inter-relações” (2024), que discute as potencialidades dos solos como arquivos da evolução das paisagens, e com o artigo “Dos solos à paisagem” (2017), onde já vínhamos defendendo a Pedologia como eixo metodológico integrador da Geografia Física. Os três textos se complementam e fornecem uma base sólida para quem deseja compreender os solos não apenas como corpos naturais isolados, mas como sistemas dinâmicos, inscritos em paisagens em constante transformação.

Graphical abstract de Alves et al., 2024

Mais do que estudos de caso ou levantamentos pontuais, esses trabalhos são convites à reflexão sobre o lugar dos solos nas ciências da paisagem. Abordam questões metodológicas, epistemológicas e conceituais, cruzando a tradição da Geografia Física brasileira com avanços recentes da Pedologia e da Geomorfologia. Ao revisitarem teorias clássicas propõem articulações inovadoras que ajudam a enfrentar desafios atuais, da modelagem em vertentes à interpretação de paleossolos em contextos tropicais.

Esses textos oferecem pontos de partida sólidos para quem deseja refletir sobre a presença dos solos nas paisagens e sua relação com a forma e a dinâmica do relevo. São particularmente úteis por integrarem contribuições teóricas e metodológicas que dialogam com desafios atuais: da leitura de vertentes à compreensão da evolução de coberturas pedológicas em ambientes tropicais.


📚 Referências citadas:

  • Alves, G. B.; Oliveira, F. S.; Silva, A. H. N.; Souza, V. S. (2024).
    Toposequence: What are we talking about? Revista Brasileira de Ciência do Solo, 48:e0230137.
    DOI: 10.36783/18069657rbcs20230137
    📄 Versão em português: Topossequência, afinal, sobre o que estamos falando?

  • Castro, S. S.; Alves, G. B.; Oliveira, F. S. (2024).
    Solo e paisagem: principais abordagens no estudo das inter-relações. Cap. 3, p. 65–132. In: Reis, R.; Perez Fo., A.; Ferreira, M. C. (Orgs.). Geografia: teorias, métodos e aplicações na perspectiva ambiental. Campinas: Ed. Consequência.
    📄 Acesso: ResearchGate

  • Nakashima, M. R.; Alves, G. B.; Barreiros, A. M.; Queiroz Neto, J. P. (2017).
    Dos solos à paisagem: uma discussão teórico-metodológica. Revista da ANPEGE, 13(20), 30–52.
    DOI: 10.5418/RA2017.1320.0003

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