E-book organizado por Grace Bungenstab Alves reúne estudos sobre erosão, relevo e dinâmica de vertentes em diferentes regiões do Brasil, destacando a contribuição da geomorfologia para a compreensão das paisagens em transformação.
Um volume sobre relevo, erosão e paisagem
O e-book Processos e Formas de Vertente, organizado por Grace Bungenstab Alves e publicado em 2026 pela Eduern, reúne cinco capítulos voltados à análise do relevo, da erosão e da dinâmica superficial em diferentes regiões do Brasil. O livro integra a coleção Geomorfologia do Brasil e resulta de trabalhos apresentados no XV SINAGEO (Simpósio Nacional de Geomorfologia).
Mais do que uma coletânea temática, o volume mostra como o estudo das vertentes permanece central para compreender a evolução da paisagem. Ao reunir pesquisas com recortes empíricos distintos, a obra evidencia a diversidade de abordagens hoje mobilizadas na geomorfologia brasileira.
Cinco capítulos, cinco recortes de análise
O primeiro capítulo, “A morfometria do relevo e a sua relação com a ocorrência de feições erosivas lineares em área de cuesta: nascentes do Rio Cabeça (SP)”, de Higor Lourenzoni Bonzanini e Cenira Maria Lupinacci, analisa a ocorrência de sulcos, ravinas e voçorocas em área de relevo cuestiforme. O objetivo é compreender como as classes de declividade e de energia do relevo se relacionam com a concentração dessas feições erosivas. Além disso, o estudo evidencia o potencial da morfometria para identificar terrenos mais suscetíveis à erosão e subsidiar o planejamento ambiental.
No segundo capítulo, “Paisagens encouraçadas na Bacia Sedimentar Bauru: dinâmica geomorfológica de um morro testemunho em Bandeirantes, Mato Grosso do Sul”, Viviane Capoane e Patricia Colombo Mescolotti investigam a evolução do relevo de um morro testemunho. Nesse caso, o foco recai sobre o papel das couraças ferruginosas na proteção das formas e no controle dos processos erosivos no substrato arenítico. Assim, o capítulo ajuda a explicar como essas coberturas endurecidas preservam formas residuais e condicionam a dinâmica geomorfológica.
O terceiro capítulo, “Variáveis geomorfométricas da bacia Colônia Antônio Aleixo (Manaus-AM): implicações para susceptibilidade erosiva”, de Armando Brito da Frota Filho e Antonio Fábio Sabbá Guimarães Vieira, busca identificar a suscetibilidade erosiva de uma bacia urbana. Para isso, os autores articulam parâmetros de drenagem, declividade, forma da bacia e ocorrência de voçorocas. Desse modo, a pesquisa mostra como a urbanização e a configuração do relevo contribuem para a vulnerabilidade ambiental.
No quarto capítulo, “Geomorfologia da paisagem no semiárido nordestino, Maciço da Serra Negra (SE): correlação entre os processos superficiais e depósitos aluviais e coluviais”, Iasmin Teles Carvalho, Daniel Rodrigues de Lira e Paulo Vitor Souza dos Santos analisam a relação entre os processos superficiais do relevo e a formação de depósitos aluviais e coluviais. O estudo contribui para a compreensão da evolução geomorfológica regional ao mostrar como estruturas herdadas, a dinâmica atual e a deposição sedimentar se articulam na configuração da paisagem.
Fechando o volume, o capítulo “Análise multivariada de feição erosiva do tipo voçoroca no contexto urbano e rural nos estados do Maranhão e Piauí”, de Gilberlene Serra Lisboa, Wellynne Carla de Sousa Barbosa, José Fernando Rodrigues Bezerra e Antonio José Teixeira Guerra, analisa a evolução espaço-temporal das voçorocas em áreas urbanas e rurais. Para isso, correlaciona a dinâmica erosiva com as propriedades físicas do solo e com o uso e a ocupação da terra. Por isso, o texto evidencia como fatores antrópicos e características pedológicas distintas condicionam o agravamento desses processos em contextos distintos.
Por que estudar vertentes importa
Em conjunto, os capítulos mostram que estudar vertentes não se limita a descrever as formas do relevo. Na prática, trata-se de investigar como a estrutura geológica, o clima, a cobertura vegetal, a dinâmica hidrossedimentar e a ação humana se combinam para produzir, acelerar ou conter processos erosivos.
Nesse sentido, o e-book reforça a importância de abordagens integradas para compreender paisagens em transformação. Este volume contribui para dar visibilidade a uma agenda de pesquisa relevante para a Geografia Física, com implicações diretas para a conservação do solo, o planejamento ambiental e a interpretação da dinâmica superficial no Brasil.
Leitura relevante para a Geografia Física brasileira
O conjunto interessa a pesquisadores, estudantes e profissionais que trabalham com relevo, solos, paisagem, suscetibilidade ambiental, uso da terra e gestão territorial. Ao reunir estudos de diferentes regiões do país, a obra reforça a importância da geomorfologia na interpretação dos processos atuais e dos desafios ambientais contemporâneos.
Referência bibliográfica
Alves, Grace Bungenstab (org.). Processos e Formas de Vertente. Mossoró, RN: Edições UERN, 2026. 86 p. (Coleção Geomorfologia do Brasil). ISBN 978-85-7621-578-3. Disponível em: https://portal.uern.br/eduern/livros_/processos-e-formas-de-vertente-vol-ii/. Acesso em: 7 abr. 2026.




